Ataques de pânico: entendendo o que acontece quando o medo explode

Imagina estar numa fila de supermercado, tranquilo, e do nada seu coração dispara, as pernas ficam bambas, a respiração falha e você tem certeza absoluta que vai morrer ali mesmo. É assim que começa um ataque de pânico — do nada, sem aviso, como se alguém tivesse apertado um botão de emergência no seu corpo.
Muita gente confunde com infarto, e não é à toa. Os sintomas são parecidos: dor no peito, falta de ar, formigamento, suor frio. A diferença é que no ataque de pânico não tem nada errado fisicamente com você. O problema está na forma como seu cérebro interpreta os sinais do corpo.
O que é exatamente um ataque de pânico?
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Um ataque de pânico é uma crise intensa de medo e ansiedade que atinge o pico em poucos minutos. O corpo ativa o modo “luta ou fuga” — aquele sistema que nossos ancestrais usavam para fugir de animais selvagens. Só que hoje em dia, esse alarme dispara em situações que não representam perigo real. Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria, cerca de 4% dos brasileiros sofrem de transtorno de pânico.
Sintomas de um ataque de pânico
Durante a crise, você pode sentir:
- Coração acelerando como se fosse pular do peito
- Sensação de sufocamento ou falta de ar
- Tontura e vertigem, como se o chão estivesse fugindo dos seus pés
- Tremores nas mãos e pernas
- Suor frio escorrendo pelas costas
- Náusea ou dor de barriga
- Medo intenso de morrer ou perder o controle
- Sensação de irrealidade ou despersonalização
O pior é que quanto mais você se desespera, pior fica. É um ciclo: você sente os sintomas, entra em pânico, o pânico intensifica os sintomas, aí você entra em pânico maior ainda. É como uma bola de neve descendo a montanha.
👉 Leia também: Sintomas de ansiedade: guia completo para identificar os sinais
Por que os ataques de pânico acontecem?
Não existe uma resposta única. Algumas pessoas têm predisposição genética — se há casos de ansiedade na família, você tem mais chance. Outras desenvolvem após passar por situações muito estressantes ou traumáticas.
Às vezes o primeiro ataque aparece num momento de muito estresse — você está na correria do trabalho, com problemas em casa, dormindo mal, se alimentando pior ainda. Aí o corpo diz “chega” e tem a primeira crise.
O complicado é que depois do primeiro ataque, muita gente desenvolve medo de ter outro ataque. Aí vira uma profecia autorrealizável: você fica tão preocupado em ter outra crise que acaba provocando uma nova crise.
Fatores de risco para ataques de pânico
- Histórico familiar de transtornos de ansiedade
- Experiências traumáticas na infância ou vida adulta
- Períodos de estresse intenso ou burnout
- Consumo excessivo de cafeína ou estimulantes
- Mudanças significativas de vida (separação, luto, mudança)
- Problemas de sono
Como lidar durante uma crise de pânico
1. Respire devagar
Eu sei que parece impossível quando você está no meio da crise, mas tente. Respire bem devagar, como se estivesse soprando uma vela sem apagar. Conte até 4 respirando, segure 4 segundos, solte em 4. Isso ajuda a desacelerar o corpo. Técnicas de respiração para ansiedade são comprovadamente eficazes.
2. Lembre que vai passar
Todo ataque de pânico tem um pico e depois diminui. Geralmente em 10 a 20 minutos já passou o pior. Não vai durar para sempre, mesmo que pareça uma eternidade enquanto está rolando.
3. Use a técnica 5-4-3-2-1 (grounding)
Use os sentidos para se ancorar no presente:
- Olhe ao redor e nomeie 5 coisas que você vê
- Toque em 4 objetos diferentes e sinta a textura
- Escute 3 sons ao seu redor
- Identifique 2 cheiros
- Note 1 sabor na boca
Isso ajuda a tirar o foco do pânico e trazer você de volta ao momento presente.
4. Não fuja
O instinto é sair correndo do lugar onde começou a crise, mas isso reforça o medo. Seu cérebro aprende que aquele lugar é perigoso, e da próxima vez fica ainda mais difícil voltar lá.
Tratamento para ataques de pânico
A boa notícia é que transtorno de pânico tem tratamento e a maioria das pessoas melhora muito. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é especialmente eficaz, com taxas de sucesso acima de 80% segundo estudos. O psicólogo vai te ajudar a entender os gatilhos das crises e te ensinar técnicas para lidar com elas.
Uma parte importante do tratamento é a exposição gradual. Parece assustador, mas funciona: você vai enfrentando aos poucos as situações que provocam medo, sempre com apoio profissional. É como treinar seu cérebro a não disparar o alarme falso.
Medicação também pode ajudar, principalmente no começo. Antidepressivos e ansiolíticos ajudam a controlar os sintomas enquanto você trabalha os aspectos psicológicos na terapia. O psiquiatra é quem vai avaliar se você precisa e qual o melhor remédio para o seu caso.
👉 Leia mais: Quando procurar ajuda profissional para ansiedade?
O que evitar se você tem ataques de pânico
Álcool e drogas podem parecer uma solução rápida, mas pioram muito o quadro. Eles interferem no equilíbrio químico do cérebro e podem aumentar a frequência e intensidade das crises.
Pesquisar sintomas na internet excessivamente também não ajuda. Você só vai encontrar informações que vão alimentar a ansiedade. Se tem dúvidas sobre sintomas, converse com um médico de verdade.
Não se isole. É comum a pessoa começar a evitar lugares e situações com medo de ter uma crise. Mas quanto mais você evita, menor fica seu mundo e maior fica o medo. Busque apoio de pessoas próximas e, principalmente, de profissionais.
Diferença entre ataque de pânico e transtorno de pânico
É importante entender a diferença:
| Característica | Ataque de Pânico | Transtorno de Pânico |
|---|---|---|
| Frequência | Pode ser isolado | Ataques recorrentes |
| Preocupação | Passa após a crise | Medo constante de novos ataques |
| Comportamento | Normal entre crises | Evitação de situações |
| Impacto | Pontual | Afeta a qualidade de vida |
Muitas pessoas têm um ataque de pânico isolado na vida e nunca mais. Mas quando os ataques se repetem e você passa a viver com medo do próximo, pode ser transtorno de pânico.
Quando procurar ajuda profissional?
Se você já teve um ataque de pânico, já é motivo para procurar ajuda. Não precisa esperar ter vários. Um psicólogo pode te ajudar a entender o que aconteceu e te dar ferramentas para prevenir novas crises.
Procure ajuda urgente se:
- Os ataques estão acontecendo com frequência
- Você está evitando lugares ou situações por medo
- Está prejudicando seu trabalho ou relacionamentos
- Você está usando álcool ou outras substâncias para lidar com o medo
- Está tendo pensamentos de autolesão
Lembre-se: ter ataques de pânico não significa que você é fraco ou que tem algum defeito. É uma condição médica, tratável, e você merece viver sem esse terror. Milhões de pessoas passam por isso e se recuperam. Você também pode.
Perguntas frequentes
Ataque de pânico pode matar?
Não, um ataque de pânico não pode matar. Embora os sintomas sejam muito assustadores e pareçam com os de um infarto, o ataque de pânico não causa danos físicos ao coração. O corpo está respondendo a um alarme falso, mas está funcionando normalmente.
Quanto tempo dura um ataque de pânico?
A maioria dos ataques de pânico dura entre 10 e 30 minutos, com o pico de intensidade ocorrendo nos primeiros 10 minutos. Após isso, os sintomas começam a diminuir gradualmente. É raro um ataque durar mais de uma hora.
Ataque de pânico tem cura?
Sim, o transtorno de pânico é altamente tratável. Com terapia cognitivo-comportamental (TCC) e, quando necessário, medicação, a maioria das pessoas consegue controlar completamente os sintomas. Estudos mostram taxas de melhora superiores a 80% com tratamento adequado.
Como ajudar alguém tendo um ataque de pânico?
Mantenha a calma e fale em tom tranquilo. Ajude a pessoa a respirar devagar, contando junto com ela. Não minimize os sintomas (“é só ansiedade”), mas reforce que ela está segura e que vai passar. Não force a pessoa a sair do local — deixe-a decidir quando se sentir pronta.
Posso ter ataque de pânico dormindo?
Sim, ataques de pânico noturnos existem e afetam cerca de 40-70% das pessoas com transtorno de pânico. A pessoa acorda subitamente com sintomas intensos de pânico. O tratamento é o mesmo dos ataques diurnos, mas é importante descartar outras causas médicas com um profissional.
Você não está sozinho
Marca aquela consulta. Conversa com alguém de confiança. Não carrega isso sozinho. O primeiro passo é o mais difícil, mas também é o mais importante. A terapia online pode ser uma opção acessível para começar.
👉 Continue aprendendo: Ansiedade: guia completo | Ansiedade generalizada | Mindfulness para acalmar a mente
Referências
- Associação Brasileira de Psiquiatria. (2024). Diretrizes para o Tratamento do Transtorno de Pânico.
- American Psychiatric Association. (2022). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5-TR).
- Organização Mundial da Saúde. (2023). World Mental Health Report.
- Craske, M. G., & Barlow, D. H. (2023). Panic Disorder and Agoraphobia. Clinical Handbook of Psychological Disorders.
- Ministério da Saúde do Brasil. (2024). Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas – Transtornos de Ansiedade.
Aviso importante: Este conteúdo tem caráter informativo e educacional, e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento de um profissional de saúde mental. Se você está passando por uma crise ou tem pensamentos de autolesão, procure ajuda imediatamente: CVV (188) ou CAPS mais próximo.
Este artigo foi produzido pela Equipe Sereny. Última atualização: janeiro de 2026.
Aviso Importante
Este artigo é informativo e não substitui avaliação médica ou psicológica profissional. As informações aqui contidas não devem ser usadas para autodiagnóstico ou automedicação. Se você está enfrentando dificuldades emocionais ou sintomas descritos neste artigo, procure ajuda de um profissional de saúde mental qualificado.
🚨 Em caso de emergência ou pensamentos suicidas:
📞 CVV (Centro de Valorização da Vida): Ligue 188 (24h, gratuito)
📞 SAMU: 192 | 🏥 Procure o pronto-socorro mais próximo