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  • Gestação e saúde mental: ansiedade e depressão na gravidez (e como lidar)

    Gestação e saúde mental: ansiedade e depressão na gravidez (e como lidar)

    Oi, tudo bem? Quando a gente pensa em gravidez, logo vem aquela imagem de barriga redonda, sorrisos e felicidade pura, né? Mas a verdade é que esse período é uma montanha-russa emocional gigante. Muitas mulheres sentem uma mistura intensa de alegria, medo, cansaço e até tristeza profunda — e isso é mais comum do que a gente imagina.

    Eu mesma já conversei com várias amigas que passaram por isso, e a ciência confirma: problemas como ansiedade e depressão aparecem bastante durante a gestação e no pós-parto. Não é fraqueza, não é drama — é o corpo e a mente lidando com uma transformação enorme.

    Por que a gravidez mexe tanto com a cabeça?

    Durante a gravidez inteira, o corpo produz uma quantidade enorme de hormônios para proteger o bebê e preparar tudo para o parto e a amamentação. Os principais “protagonistas” são o estrogênio e a progesterona. Eles aumentam muito — tipo, níveis altíssimos que a gente nunca teve antes na vida.

    O estrogênio ajuda a crescer o útero, melhora a circulação sanguínea, deixa a pele com aquele “brilho de grávida” (mesmo que venha junto com acne ou manchas às vezes). Já a progesterona relaxa os músculos do útero para não ter contrações cedo demais, aumenta o fluxo de sangue nas mamas e ajuda na formação da placenta.

    Mas esses dois também mexem com o cérebro: o estrogênio pode deixar a gente mais emotiva, sensível, às vezes eufórica; a progesterona, por outro lado, relaxa tanto que dá aquela preguiça enorme, cansaço e até irritabilidade.

    Mudanças hormonais: os protagonistas em ação

    Aí tem outros hormônios entrando na dança:

    • hCG (aquele do teste de farmácia) é o primeiro a subir forte e é culpado pelos enjoos matinais clássicos.
    • Prolactina vai crescendo aos poucos para preparar as mamas para o leite.
    • Oxitocina, o “hormônio do amor”, aumenta progressivamente — ela ajuda nas contrações do parto e fortalece aquele vínculo imediato com o bebê quando ele nasce.
    • Cortisol (do estresse) também fica mais alto para ajudar o corpo a lidar com as demandas extras.

    Altos e baixos: a montanha-russa emocional

    Tudo isso cria uma montanha-russa emocional. Muitas mulheres sentem picos de felicidade misturados com ansiedade, choro fácil, irritação… É o corpo se adaptando a um novo “normal” hormonal. E isso é normalíssimo — não é frescura.

    Infográfico dos principais hormônios na gravidez: estrogênio, progesterona, hCG, prolactina, oxitocina e cortisol e seus efeitos no corpo e mente
    Hormônios na gravidez e seus efeitos no corpo e na mente

    O que acontece depois do parto: a queda hormonal

    Agora vem a parte mais “chocante” para muita gente: quando o bebê nasce, tudo muda de repente. A placenta, que era a principal fábrica desses hormônios, sai junto com o bebê. Então, estrogênio e progesterona despencam de forma brusca — é uma queda hormonal rápida e intensa.

    O corpo para de produzir aqueles níveis altíssimos e começa a focar na prolactina (para o leite) e na oxitocina (para as contrações do útero voltarem ao normal e para o vínculo com o bebê).

    Baby blues vs. Depressão pós-parto

    Essa queda abrupta é uma das razões principais do famoso baby blues: nos primeiros dias (geralmente entre o 3º e o 5º dia pós-parto), muitas mulheres sentem uma tristeza inexplicável, choro fácil, sensibilidade extrema, irritabilidade. Tipo: “Eu estou feliz com o bebê, mas por que estou chorando tanto?” Isso acontece com a maioria das mães e costuma passar sozinho em até duas semanas.

    Comparativo entre Baby Blues e Depressão Pós-Parto: diferenças de duração, intensidade e necessidade de tratamento
    Baby Blues vs Depressão Pós-Parto: entenda as diferenças

    Mas, olha, quando essa queda hormonal se soma a outros fatores — como falta de sono, dor física da recuperação, pressão de ser “mãe perfeita”, pouca ajuda em casa, histórico de ansiedade ou depressão —, pode evoluir para algo mais sério, como depressão pós-parto ou ansiedade pós-parto.

    A ciência mostra que essa transição hormonal cria um momento de vulnerabilidade no cérebro: o estrogênio, que ajuda a regular o humor e neurotransmissores como serotonina, cai de repente, e isso pode deixar a gente mais suscetível a sentimentos de tristeza, culpa, medo ou até desconexão com o bebê.

    Você não está sozinha: os números falam por si

    O que os estudos mostram é que muita gente sente o peso da ansiedade durante a gravidez, especialmente no começo, quando tudo ainda é incerto. A depressão também pode surgir ou piorar, principalmente depois do parto, quando o corpo está se recuperando, o sono vira luxo e a responsabilidade de cuidar de um serzinho tão pequeno bate forte.

    Segundo estudo da Fiocruz (2023), 26,3% das gestantes brasileiras apresentam sintomas depressivos. A OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde) estima que 1 em cada 5 mulheres desenvolve algum transtorno mental perinatal — e no Brasil, apenas 20% das mães com depressão pós-parto recebem tratamento adequado.

    Estatísticas de saúde mental materna no Brasil: 26,3% das gestantes com sintomas depressivos, 1 em 5 desenvolve transtorno perinatal
    Fonte: Fiocruz 2023, OPAS

    Aqui no Brasil, pesquisas recentes apontam que esses sentimentos afetam muitas mães, especialmente quando há pouca rede de apoio, estresse financeiro ou histórico de problemas emocionais. Mas o importante é: isso não acontece só com quem “já tinha tendência”. A gravidez em si pode desencadear ou intensificar essas questões por causa das mudanças hormonais, do cansaço físico e da pressão social de “ser mãe perfeita”.

    O impacto no bebê (e por que pedir ajuda é essencial)

    E sabe o que mais me toca? Esses momentos difíceis não afetam só a gente. Quando a mãe está muito ansiosa ou deprimida, isso pode influenciar o bebê. Estudos mostram que o estresse prolongado na gestação pode aumentar o risco de o bebê nascer mais cedo ou com peso menor.

    Depois do nascimento, se a mãe está lutando contra uma tristeza forte, às vezes fica mais difícil responder aos sinais do bebê — tipo sorrir de volta, conversar com ele, brincar. Com o tempo, isso pode impactar o desenvolvimento emocional, a linguagem e até o jeito como a criança se relaciona com o mundo.

    Não é que a mãe “estrague” o bebê — longe disso! É só que o vínculo se constrói na base do afeto e da disponibilidade emocional, e quando a gente está mal, isso fica mais desafiador. A boa notícia? Quando a mãe recebe ajuda e melhora, o bebê também se beneficia rapidinho.

    Como cuidar da sua saúde mental na gestação

    Então, o que fazer? Primeiro: não se culpe se estiver se sentindo pra baixo. É normal ter dias ruins, mas se o choro vem todo dia, se a ansiedade não deixa dormir ou se você sente que “não está conseguindo ser mãe”, procure ajuda sem medo.

    Quando procurar ajuda profissional

    ⚠️ Quando buscar ajuda imediata:

    • Pensamentos de fazer mal a si mesma ou ao bebê
    • Dificuldade extrema para criar vínculo com o bebê
    • Insônia severa mesmo quando o bebê dorme
    • Ataques de pânico frequentes
    • Isolamento social completo

    📞 Emergência: CVV 188 | SAMU 192 | CAPS mais próximo

    No final das contas, a gestação é sobre cuidar de duas vidas — a sua e a do bebê. Cuidar da mente é tão importante quanto ir às consultas pré-natais, tomar vitaminas e descansar. Se você está passando por isso agora, ou conhece alguém que está, saiba que existe saída, tratamento e muito amor esperando do outro lado.

    Dicas para cuidar da saúde mental na gravidez: psicólogo, exercícios, apoio familiar, grupos de gestantes
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    Checklist de sinais de alerta na gestação: quando buscar ajuda profissional para saúde mental
    Sinais de alerta: quando buscar ajuda imediata

    Você não está sozinha nisso. Um abraço bem apertado e força nessa jornada linda (e às vezes dura) que é ser mãe. 💛

    Perguntas frequentes

    Baby blues é o mesmo que depressão pós-parto?

    Não. O baby blues é uma tristeza leve e passageira que afeta até 80% das mães nos primeiros dias após o parto e desaparece em até duas semanas. Já a depressão pós-parto é mais intensa, dura mais tempo (semanas ou meses) e precisa de tratamento profissional.

    Posso tomar antidepressivos na gravidez?

    Sim, existem medicações seguras para uso durante a gestação e amamentação. O psiquiatra perinatal avalia cada caso individualmente, pesando riscos e benefícios. Nunca interrompa ou inicie medicações por conta própria.

    Como meu parceiro pode ajudar?

    O apoio emocional do parceiro é fundamental: escutar sem julgar, dividir as tarefas domésticas, cuidar do bebê para você descansar, acompanhar nas consultas e validar seus sentimentos fazem toda a diferença na recuperação.


    Nota importante: Este artigo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Se você está grávida e sentindo sintomas de ansiedade ou depressão, procure um obstetra, psiquiatra perinatal ou psicólogo especializado. Para mais informações sobre saúde mental, consulte nossos outros guias.

    Referências

    1. Fiocruz. (2023). Saúde Mental Perinatal no Brasil: Dados e Perspectivas.
    2. Organização Pan-Americana da Saúde. (2023). Mental Health During Pregnancy and Postpartum Period.
    3. American College of Obstetricians and Gynecologists. (2024). Screening and Diagnosis of Mental Health Conditions During Pregnancy and Postpartum.
    4. Howard, L. M., et al. (2023). “Perinatal mental health: a review of progress and challenges.” World Psychiatry, 22(1), 7-26.
    5. Ministério da Saúde do Brasil. (2024). Protocolo de Atenção à Saúde Mental na Gestação e Puerpério.

    Aviso importante: Este conteúdo tem caráter informativo e educacional, e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento de um profissional de saúde mental. Se você está passando por uma crise ou tem pensamentos de autolesão, procure ajuda imediatamente: CVV (188) ou CAPS mais próximo.


    Este artigo foi produzido pela Equipe Sereny. Última atualização: janeiro de 2026.

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