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  • Depressão pós-parto: sinais, causas e como buscar ajuda

    Depressão pós-parto: sinais, causas e como buscar ajuda

    Você sonhou com esse momento a vida inteira. Mas agora que o bebê chegou, em vez de alegria, você sente um vazio. Chora sem motivo. Se sente desconectada do seu filho. Tem pensamentos assustadores. E a culpa… a culpa é esmagadora. “Eu deveria estar feliz. O que há de errado comigo?”

    Nada está errado com você. Você pode estar vivendo uma depressão pós-parto — uma condição séria que afeta até 1 em cada 5 mães, mas que raramente é falada abertamente. Não é fraqueza, não é falta de amor, não é falha como mãe. É uma doença. E tem tratamento.

    O que é depressão pós-partoTranstorno depressivo que ocorre após o parto, afetando humor, energia e capacidade de cuidar do bebê.?

    A depressão pós-partoTranstorno depressivo que ocorre após o parto, afetando humor, energia e capacidade de cuidar do bebê. (DPP) é um transtorno de humor que pode afetar mulheres após o nascimento de um filho. É diferente do “baby blues” — a tristeza passageira que muitas mães sentem nos primeiros dias.

    A DPP é mais intensa, dura mais tempo e interfere na capacidade de cuidar de si mesma e do bebê.

    Dados importantes:

    • 10-20% das mães desenvolvem DPP
    • Pode começar durante a gravidez ou até 1 ano após o parto
    • 50% dos casos não são diagnosticados
    • Pais também podem ter depressão pós-partoTranstorno depressivo que ocorre após o parto, afetando humor, energia e capacidade de cuidar do bebê. (cerca de 10%)
    • Com tratamento adequado, a maioria se recupera completamente

    Baby blues vs. depressão pós-partoTranstorno depressivo que ocorre após o parto, afetando humor, energia e capacidade de cuidar do bebê.: qual a diferença?

    Baby blues (tristeza materna)

    • Afeta até 80% das mães
    • Começa 2-3 dias após o parto
    • Dura até 2 semanas
    • Sintomas leves: choro fácil, irritabilidade, ansiedade
    • Não interfere nos cuidados com o bebê
    • Passa sozinho

    Depressão pós-partoTranstorno depressivo que ocorre após o parto, afetando humor, energia e capacidade de cuidar do bebê.

    • Afeta 10-20% das mães
    • Pode começar a qualquer momento no primeiro ano
    • Dura semanas, meses ou mais
    • Sintomas intensos que interferem no funcionamento
    • Pode afetar vínculo com o bebê
    • Requer tratamento

    Atenção: Se os sintomas de “baby blues” durarem mais de 2 semanas ou piorarem, pode ser DPP.

    Sintomas de depressão pós-partoTranstorno depressivo que ocorre após o parto, afetando humor, energia e capacidade de cuidar do bebê.

    Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa. Você não precisa ter todos para ter DPP:

    Emocionais

    • Tristeza profunda que não passa
    • Vazio emocional — sensação de estar “desligada”
    • Choro frequente — às vezes sem motivo aparente
    • Irritabilidade ou raiva intensa
    • Ansiedade excessiva sobre o bebê
    • Medo de ficar sozinha com o bebê
    • Culpa avassaladora — sentir-se uma mãe ruim
    • Vergonha — “deveria estar feliz”
    • Desesperança — sensação de que nunca vai melhorar

    Cognitivos

    • Dificuldade de concentração
    • Problemas de memória
    • Dificuldade em tomar decisões
    • Pensamentos negativos persistentes
    • Pensamentos assustadores — medo de machucar o bebê (muito comum, mas assustador)

    Físicos

    • Exaustão além do normal (mesmo dormindo)
    • Insônia — não conseguir dormir mesmo quando o bebê dorme
    • Dormir demais
    • Alterações no apetite — comer muito ou nada
    • Dores físicas sem explicação

    Comportamentais

    • Isolamento — evitar família e amigos
    • Desinteresse pelo bebê ou dificuldade de vínculo
    • Desinteresse por atividades antes prazerosas
    • Dificuldade em cuidar de si mesma
    • Pensamentos de fuga — vontade de ir embora

    Sobre os pensamentos assustadores

    Muitas mães com DPP têm pensamentos intrusivos sobre machucar o bebê. Isso é extremamente comum e não significa que você vai agir.

    Esses pensamentos são chamados de pensamentos intrusivos — aparecem contra sua vontade e causam muito sofrimento. O fato de você se horrorizar com eles mostra que você não quer que aconteçam.

    Importante: Se você tem esses pensamentos, fale com um profissional. Eles são tratáveis e você não será julgada.

    Fatores de risco

    Qualquer mãe pode desenvolver DPP, mas alguns fatores aumentam o risco:

    • Histórico de depressão ou ansiedade
    • DPP em gravidez anterior
    • Gravidez não planejada ou indesejada
    • Complicações na gravidez ou parto
    • Bebê prematuro ou com problemas de saúde
    • Falta de apoio do parceiro ou família
    • Problemas conjugais
    • Estresse financeiro ou de vida
    • Histórico de trauma ou abuso
    • Dificuldades com amamentação
    • Privação severa de sono

    Por que acontece?

    A DPP resulta de uma combinação de fatores:

    Hormonais

    Após o parto, os níveis de estrogênio e progesterona despencam drasticamente — uma das maiores mudanças hormonais que o corpo feminino experimenta. Isso pode afetar neurotransmissores ligados ao humor.

    Físicos

    • Privação de sono extrema
    • Recuperação do parto
    • Dor (cesárea, episiotomia)
    • Mudanças no corpo

    Psicológicos

    • Mudança de identidade — quem sou eu agora?
    • Expectativas irreais sobre maternidade
    • Pressão para ser “a mãe perfeita”
    • Perda da vida anterior

    Sociais

    • Isolamento
    • Falta de ajuda prática
    • Cobrança social para “estar feliz”

    Quando buscar ajuda

    Procure ajuda imediatamente se:

    • Os sintomas duram mais de 2 semanas
    • Você tem dificuldade em cuidar de si ou do bebê
    • Tem pensamentos de se machucar ou machucar o bebê
    • Sente que está perdendo o controle
    • Tem pensamentos suicidas

    Emergência: Se você tem pensamentos de suicídio ou de machucar seu bebê, ligue para o CVV (188) ou vá a um pronto-socorro imediatamente.

    Tratamento da depressão pós-partoTranstorno depressivo que ocorre após o parto, afetando humor, energia e capacidade de cuidar do bebê.

    A DPP é altamente tratável. A maioria das mulheres melhora significativamente com tratamento adequado.

    Psicoterapia

    A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Terapia Interpessoal (TIP) são eficazes:

    • Trabalhar pensamentos negativos
    • Desenvolver estratégias de enfrentamento
    • Melhorar relacionamentos e comunicação
    • Processar a transição para maternidade

    Medicação

    Antidepressivos podem ser necessários em casos moderados a graves:

    • Muitos são seguros na amamentação — converse com seu médico
    • Não precisa parar de amamentar para tratar
    • Geralmente levam 2-4 semanas para fazer efeito

    Grupos de apoio

    Conectar-se com outras mães que passaram pelo mesmo pode ser transformador:

    • Reduz isolamento
    • Normaliza a experiência
    • Oferece apoio prático e emocional

    O que você pode fazer agora

    Para si mesma

    • Fale com alguém sobre como se sente — parceiro, amiga, médico
    • Aceite ajuda — deixe outros fazerem tarefas domésticas
    • Durma quando o bebê dormir (quando possível)
    • Saia de casa nem que seja para uma caminhada curta
    • Não se isole — mantenha contato com pessoas queridas
    • Seja gentil consigo mesma — você está fazendo o melhor que pode
    • Ignore expectativas irreais de redes sociais

    Para parceiros e família

    • Leve a sério — não diga “vai passar” ou “é coisa da sua cabeça”
    • Ouça sem julgamento
    • Ajude com tarefas práticas e cuidados com o bebê
    • Incentive a buscar ajuda profissional
    • Esteja presente — sua presença importa
    • Cuide de você também — pais podem ter DPP

    Mitos sobre depressão pós-partoTranstorno depressivo que ocorre após o parto, afetando humor, energia e capacidade de cuidar do bebê.

    • “Mães de verdade não ficam tristes” — DPP é doença, não falha de caráter.
    • “Se você amasse seu bebê, não teria isso” — DPP não tem nada a ver com amor pelo filho.
    • “Vai passar sozinho” — DPP requer tratamento.
    • “Medicação vai prejudicar a amamentação” — Muitos antidepressivos são seguros.
    • “É frescura” — É uma condição médica séria.
    • “Só acontece logo após o parto” — Pode surgir até 1 ano depois.

    Você não é culpada

    Se você está lendo isso e se reconhecendo, preciso que entenda algumas coisas:

    • Você não causou isso. DPP não é escolha.
    • Você não é uma mãe ruim. Mães ruins não se preocupam em ser ruins.
    • Você não está sozinha. Milhões de mulheres passaram por isso.
    • Isso vai passar. Com tratamento, a grande maioria se recupera.
    • Pedir ajuda é força, não fraqueza.

    A maternidade que você sonhou ainda pode acontecer. Mas primeiro, você precisa cuidar de você. Porque uma mãe saudável é o melhor presente que você pode dar ao seu filho.

    Você merece ajuda. Você merece se sentir bem. Dê o primeiro passo hoje.


    Recursos de apoio

    • CVV (Centro de Valorização da Vida): 188
    • CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) — procure o mais próximo
    • UBS (Unidade Básica de Saúde) — atendimento gratuito pelo SUS

    FAQ: Perguntas frequentes sobre depressão pós-parto

    A depressão pós-parto passa sozinha?

    Não. Diferente do baby blues (que dura até 2 semanas), a depressão pós-parto requer tratamento. Sem acompanhamento adequado, pode durar meses ou anos e afetar o vínculo com o bebê e a saúde da família. Com tratamento (terapia e/ou medicação), a grande maioria das mães se recupera completamente.

    Ter depressão pós-parto significa que não amo meu bebê?

    Absolutamente não. A DPP é uma condição médica causada por alterações hormonais, genética, estresse e falta de apoio — não tem nada a ver com o amor pelo filho. Muitas mães com DPP sentem culpa justamente porque amam seus bebês e se cobram por não conseguirem sentir a alegria esperada.

    Posso tomar antidepressivos amamentando?

    Sim, vários antidepressivos são considerados seguros durante a amamentação. Seu médico pode escolher medicamentos que passam minimamente para o leite materno. Os benefícios de tratar a depressão (mãe saudável = bebê mais saudável) geralmente superam os riscos. Nunca interrompa ou evite tratamento sem orientação médica.

    Pais também podem ter depressão pós-parto?

    Sim. Cerca de 10% dos pais desenvolvem depressão no período perinatal. Fatores incluem: privação de sono, mudanças na dinâmica do relacionamento, pressão financeira e histórico de depressão. Se você é pai e está tendo dificuldades, busque ajuda — paternidade também precisa de cuidado.

    Quando devo procurar ajuda urgente?

    Procure ajuda imediatamente se: tiver pensamentos de se machucar ou machucar o bebê; não conseguir cuidar de si ou do bebê; tiver alucinações ou pensamentos estranhos; se sentir completamente desconectada da realidade. Ligue 188 (CVV), vá a uma UPA ou peça para alguém levá-la a um pronto-socorro.

    Leia também

    Referências científicas

    • American Psychiatric Association. (2022). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5-TR).
    • O’Hara, M. W., & McCabe, J. E. (2013). Postpartum depression: current status and future directions. Annual Review of Clinical Psychology, 9, 379-407.
    • Wisner, K. L., et al. (2013). Onset timing, thoughts of self-harm, and diagnoses in postpartum women with screen-positive depression findings. JAMA Psychiatry, 70(5), 490-498.
    • Stewart, D. E., & Vigod, S. (2016). Postpartum Depression. New England Journal of Medicine, 375(22), 2177-2186.
    • Ministério da Saúde (2024). Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para depressão perinatal.
    • Sociedade Brasileira de Pediatria (2024). Saúde mental materna: impactos no desenvolvimento infantil.

    Aviso importante

    Este conteúdo é informativo e educacional, não substituindo orientação profissional de saúde mental. Se você está vivenciando sintomas de depressão pós-parto, busque ajuda médica imediatamente. O tratamento é eficaz e você merece se sentir bem.


    Este artigo foi produzido pela Equipe Sereny com revisão técnica de profissionais de saúde mental.

    Última atualização: Janeiro de 2026