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    TDAH em Adultos: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento — Guia Completo 2026

    O que é TDAHTranstorno neurológico caracterizado por desatenção, hiperatividade e impulsividade. em Adultos?

    O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) não é apenas uma condição infantil. Cerca de 60-80% das crianças com TDAH continuam apresentando sintomas na vida adulta, mas muitos descobrem o diagnóstico apenas após os 30 ou 40 anos.

    No Brasil, estima-se que 4-5% dos adultos tenham TDAH — são mais de 8 milhões de pessoas. A maioria nunca recebeu diagnóstico ou tratamento, atribuindo suas dificuldades a “falta de força de vontade” ou “preguiça”.

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    Sintomas de TDAH em Adultos

    Os sintomas em adultos se manifestam de forma diferente das crianças. Enquanto crianças correm e sobem em tudo, adultos sentem inquietação mental constante.

    Desatenção (Sintomas Mais Comuns em Adultos)

    A desatenção em adultos vai muito além de “se distrair facilmente”. É aquela dificuldade persistente para iniciar tarefas, especialmente as chatas ou complexas.

    A procrastinação extrema não melhora com “mais disciplina”. Perder objetos constantemente faz parte da rotina — chaves, carteira, celular, documentos. Esquecer compromissos importantes mesmo tendo anotado.

    Muitos relatam que não conseguem prestar atenção em conversas porque o pensamento simplesmente voa para outro lugar. Ou começam múltiplos projetos sem terminar nenhum (o famoso “cemitério de hobbies”).

    Prazos são sempre estourados. A desorganização é crônica — casa, mesa, vida financeira. Mas existe também o hiperfoco seletivo: passar horas em algo interessante e esquecer de comer, dormir ou fazer qualquer outra coisa.

    Hiperatividade e Impulsividade

    Em adultos, a hiperatividade é mais interna do que física. É aquela mente que nunca para, com múltiplos pensamentos simultâneos disputando atenção.

    A impaciência é extrema. Não conseguir esperar na fila, ouvir até o final, deixar os outros terminarem de falar. Muitos interrompem conversas constantemente ou terminam as frases dos outros.

    Há uma dificuldade crônica para relaxar — sempre precisa estar fazendo algo. Decisões impulsivas são comuns: compras não planejadas, mudanças súbitas de emprego, decisões importantes em relacionamentos tomadas no calor da emoção.

    Falar demais ou muito rápido, especialmente quando animado. Mexer mãos ou pés constantemente — balançar perna, roer unhas, mexer no cabelo.

    Regulação Emocional (Sintoma Negligenciado)

    Um dos aspectos mais incompreendidos do TDAH em adultos é a disregulação emocional.

    A baixa tolerância à frustração faz com que pequenas coisas provoquem reações intensas — aquele “explodir por nada”. Há uma sensibilidade aumentada à rejeição, interpretando críticas construtivas como ataques pessoais.

    As mudanças de humor são rápidas. Você pode estar empolgado em um momento e completamente desanimado minutos depois.

    Gerenciar estresse é particularmente difícil. A sensação de estar constantemente sobrecarregado é comum mesmo com uma carga “normal” de responsabilidades.

    Por Que Muitos Adultos Descobrem TDAH Tarde?

    O diagnóstico tardio é extremamente comum. Por muito tempo, TDAH foi considerado “doença de menino hiperativo”, então meninas e adultos eram completamente ignorados.

    Muitos adultos com TDAH eram crianças inteligentes que conseguiam compensar os sintomas na escola. Aqueles que recebiam comentários como “inteligente mas não se aplica”.

    Os sintomas eram atribuídos a falhas de caráter: “você é preguiçoso, desorganizado, imaturo”. Não a um transtorno neurobiológico real.

    Na infância e adolescência, a estrutura externa mascara os sintomas. Pais organizavam, lembravam, cobravam. Mas a vida adulta aumenta drasticamente as demandas — gerenciar casa, trabalho, filhos, finanças, tudo sozinho.

    É quando o castelo de cartas desaba.

    Além disso, comorbidades frequentemente escondiam o TDAH. A pessoa tratava ansiedade ou depressão, mas não a causa raiz. Os sintomas persistiam mesmo com tratamento.

    TDAH x Ansiedade x Depressão: Diferenças

    É comum confundir TDAH com outros transtornos, especialmente porque ansiedade e depressão frequentemente coexistem com TDAH. A tabela abaixo ajuda a entender as diferenças principais:

    Sintoma TDAH Ansiedade Depressão
    Início Infância (antes dos 12 anos) Qualquer idade Qualquer idade, episódico
    Concentração Sempre difícil (mas hiperfoco existe) Difícil quando ansioso Difícil durante episódio
    Inquietação Interna, constante, sem motivo Física, por preocupação Agitação ou lentidão
    Procrastinação Por dificuldade de iniciar Por medo de falhar Por falta de energia/interesse

    IMPORTANTE: TDAH frequentemente coexiste com ansiedade (50%) e depressão (30%). Por isso o diagnóstico correto é crucial — tratar apenas a ansiedade ou depressão sem abordar o TDAH subjacente raramente resolve o problema completamente.

    Causas e Fatores de Risco

    O TDAH tem causas principalmente biológicas e genéticas.

    A hereditariedade é de 70-80%. Se um dos pais tem TDAH, a chance nos filhos é de cerca de 50%. Estudos identificaram variações em genes relacionados à dopamina e noradrenalina (DAT1, DRD4, DRD5) — neurotransmissores essenciais para atenção e motivação.

    Do ponto de vista neurobiológico, pessoas com TDAH apresentam córtex pré-frontal subdesenvolvido (a área responsável por funções executivas como planejamento e controle de impulsos).

    Há déficit de dopamina e noradrenalina. Os circuitos de recompensa são desregulados — daí a procrastinação extrema e dificuldade com tarefas que não fornecem gratificação imediata.

    Fatores ambientais também aumentam o risco: exposição a toxinas durante a gestação (álcool, tabaco, chumbo), prematuridade ou baixo peso ao nascer, e trauma craniano. Mas esses fatores são menos determinantes que a genética.

    Diagnóstico de TDAH em Adultos

    O diagnóstico é clínico — não existe exame de sangue ou ressonância magnética que diagnostique TDAH.

    O processo começa com um histórico completo, especialmente sintomas na infância e adolescência. O TDAH deve estar presente antes dos 12 anos, mesmo que só tenha sido identificado na vida adulta.

    Escalas padronizadas ajudam: ASRS-18 (o mesmo do nosso teste), DIVA-5, Conners. O profissional avalia o prejuízo funcional — os sintomas realmente afetam trabalho, relacionamentos e vida diária?

    Outras causas precisam ser excluídas: problemas de tireoide, deficiências nutricionais (vitamina D, ferro, B12), apneia do sono, outros transtornos psiquiátricos. Quando possível, uma entrevista com familiar ajuda a confirmar sintomas na infância.

    Critérios do DSM-5 para diagnóstico:

    • 5+ sintomas de desatenção OU 5+ de hiperatividade/impulsividade (persistentes por 6+ meses)
    • Sintomas presentes antes dos 12 anos
    • Prejuízo em 2+ áreas da vida (trabalho, casa, social)
    • Não explicado por outro transtorno

    Onde buscar diagnóstico:

    • Psiquiatra — Preferencialmente especializado em TDAH adulto
    • Neurologista — Também pode diagnosticar e tratar
    • Psicólogo — Pode avaliar, mas não prescrever medicação

    💡 Dica: Antes da consulta, faça o teste ASRS-18 (disponível nesta página) e leve impresso. Liste exemplos específicos de como os sintomas afetam sua vida. Se possível, peça a um familiar para confirmar sintomas na infância. Isso economiza tempo e facilita muito a avaliação.

    Tratamento de TDAH em Adultos

    O tratamento mais eficaz combina medicação + terapia + estratégias comportamentais.

    1. Medicação (70-80% de Eficácia)

    Estimulantes são a primeira linha de tratamento. Eles melhoram os níveis de dopamina e noradrenalina no cérebro:

    • Metilfenidato (Ritalina, Concerta)
    • Lisdexanfetamina (Venvanse) — Ação prolongada, menos picos

    Para quem não tolera estimulantes, existem não-estimulantes:

    • Atomoxetina (Strattera)
    • Bupropiona — Antidepressivo com efeito em TDAH

    Os efeitos esperados incluem melhora significativa em foco, organização, controle de impulsos e regulação emocional. Muitos descrevem a experiência como “finalmente ter acesso ao cérebro” ou “tirar uma névoa da mente”.

    A medicação não “cura”, mas fornece as ferramentas neuroquímicas que o cérebro TDAH precisa para funcionar melhor.

    2. Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)

    A TCC para TDAH é diferente da TCC padrão. O foco está em ensinar estratégias compensatórias práticas:

    • Técnicas de organização e planejamento
    • Manejo de tempo e procrastinação
    • Regulação emocional
    • Trabalhar a baixa autoestima que geralmente acompanha anos de “fracassos” não explicados

    3. Estratégias Práticas de Manejo

    O custo do tratamento varia bastante. Consultas particulares custam entre R$ 200-600, psicoterapia cerca de R$ 150-400 por sessão, e a medicação (dependendo da dosagem) fica em torno de R$ 50-200 mensais. O SUS oferece diagnóstico e tratamento gratuitos, embora o tempo de espera possa ser longo. Muitos planos de saúde cobrem consultas com psiquiatras e psicólogos — vale verificar sua cobertura.

    A medicação muda minha personalidade?

    Não. A medicação trata sintomas neurológicos, não muda quem você é. Muitos relatam finalmente se sentir “como deveriam ser”. Para aprender mais sobre TDAH em adultos, alguns livros excelentes incluem “Driven to Distraction” de Edward Hallowell (um clássico sobre o tema) e “Taking Charge of Adult TDAH” de Russell Barkley, com estratégias práticas baseadas em evidências.

    Comunidades online no Brasil:

    • r/TDAH (Reddit) — Comunidade brasileira ativa
    • Grupos no Facebook: “TDAH – Adultos”, “TDAH Brasil”
    • Instagram: @tdah.descomplicado, @psiquecomciencia

    Onde buscar ajuda profissional:

    • ABD (Associação Brasileira do Déficit de Atenção) — Lista de profissionais especializados
    • Plataformas online: Vittude, Zenklub, Telavita
    • CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) — Atendimento SUS gratuito

    Mensagem Final

    Se você chegou até aqui, talvez esteja se reconhecendo nos sintomas.

    Primeiro, saiba disso: você não é preguiçoso, burro ou sem força de vontade.

    Se for TDAH, seu cérebro simplesmente funciona diferente. E isso não é defeito, é neurodiversidade.

    O diagnóstico correto pode literalmente mudar sua vida. Muitos adultos relatam que, após o tratamento, finalmente se sentem “capazes” pela primeira vez.

    Aquela sensação de estar sempre nadando contra a corrente? Ela pode diminuir drasticamente.

    Dê o primeiro passo: faça o teste ASRS-18 disponível nesta página. Se o resultado indicar risco moderado ou alto, agende consulta com um psiquiatra.

    Leve o resultado impresso e exemplos específicos de como os sintomas afetam sua vida. Se possível, peça a um familiar para confirmar sintomas na infância.

    E então, seja paciente. Encontrar o tratamento certo pode levar algum tempo, mas vale cada segundo da espera.

    Você merece viver no seu potencial máximo. 🧩

    ⚠️ Nota importante: Este artigo é informativo e não substitui avaliação profissional. Se você está em crise ou tendo pensamentos suicidas (comum em TDAH não tratado com depressão secundária), ligue CVV 188 (24h, gratuito) ou procure o hospital mais próximo.

    Perguntas frequentes

    TDAH em adultos e real ou e so falta de disciplina?

    TDAH em adultos e uma condicao neurobiologica real, reconhecida pela OMS e por todas as principais organizacoes medicas. Estudos de neuroimagem mostram diferencas estruturais e funcionais no cerebro de pessoas com TDAH. Nao e falta de disciplina, preguica ou falha moral – e uma condicao medica que responde bem a tratamento adequado.

    Posso ter TDAH mesmo sendo adulto e nunca tendo sido diagnosticado?

    Sim, muitos adultos so descobrem o TDAH depois dos 30, 40 ou ate mais tarde. Isso e especialmente comum em pessoas que desenvolveram estrategias compensatorias, mulheres (que apresentam sintomas diferentes) e pessoas com alto QI que conseguiam se virar na escola. O diagnostico tardio e cada vez mais comum.

    Remedio para TDAH causa dependencia?

    Estimulantes como metilfenidato (Ritalina) e lisdexanfetamina (Venvanse) tem potencial de abuso, mas quando usados corretamente sob supervisao medica, nao causam dependencia em pessoas com TDAH. Na verdade, pesquisas mostram que o tratamento adequado REDUZ o risco de abuso de substancias.

    TDAH tem cura?

    TDAH e uma condicao neurologica que nao tem cura no sentido tradicional, mas e altamente gerenciavel. Com tratamento adequado (medicacao, terapia, estrategias comportamentais), a maioria das pessoas consegue viver vidas plenas e produtivas. Alguns sintomas podem diminuir com a idade, mas o TDAH geralmente persiste.

    Como saber se e TDAH ou ansiedade?

    Os sintomas podem se sobrepor (dificuldade de concentracao, inquietacao), mas tem origens diferentes. TDAH comeca na infancia e causa dificuldade de foco mesmo em coisas interessantes; ansiedade geralmente surge depois e causa dificuldade de foco devido a preocupacoes. E comum ter ambos – cerca de 50% das pessoas com TDAH tambem tem ansiedade.

    Referências Científicas

    • Kessler RC, et al. (2006). “The prevalence and correlates of adult ADHD in the United States.” American Journal of Psychiatry
    • Faraone SV, et al. (2021). “The World Federation of ADHD International Consensus Statement.” Neuroscience & Biobehavioral Reviews
    • Barkley RA (2015). “Attention-Deficit Hyperactivity Disorder: A Handbook for Diagnosis and Treatment” (4th ed.)
    • NICE Guidelines (2018). “Attention deficit hyperactivity disorder: diagnosis and management”
    • Adler LA, et al. (2006). “Validity of pilot Adult ADHD Self-Report Scale (ASRS).” Journal of Attention Disorders
  • Depressão: sintomas, causas e tratamento — o guia completo

    Depressão: sintomas, causas e tratamento — o guia completo

    Perguntas frequentes

    Depressao tem cura?

    A depressao e altamente tratavel. A maioria das pessoas melhora significativamente com tratamento adequado (terapia, medicacao ou ambos). Alguns tem um unico episodio; outros podem ter recorrencias. Com acompanhamento continuo, e possivel viver bem e prevenir recaidas. O importante e buscar ajuda e manter o tratamento.

    Quanto tempo leva para antidepressivos fazerem efeito?

    Antidepressivos geralmente levam 2-4 semanas para comecar a fazer efeito significativo. Algumas pessoas notam pequenas melhoras antes, outras demoram ate 6-8 semanas. E importante nao desistir cedo demais e manter comunicacao com o medico sobre como esta se sentindo.

    Posso parar de tomar antidepressivo quando me sentir melhor?

    Nunca pare antidepressivos por conta propria. Interrupcao abrupta pode causar sintomas de descontinuacao e aumentar risco de recaida. O medico geralmente recomenda continuar por 6-12 meses apos a melhora, depois fazer reducao gradual. Sempre converse com seu medico antes de qualquer mudanca.

    Depressao e diferente de tristeza?

    Sim. Tristeza e uma emocao normal que vem e vai, geralmente ligada a eventos especificos. Depressao e persistente (2+ semanas), afeta multiplas areas da vida, inclui sintomas fisicos e cognitivos, e nao melhora sozinha. Se a tristeza nao passa e esta atrapalhando sua vida, pode ser depressao.

    E possivel ter depressao e ansiedade ao mesmo tempo?

    Sim, e muito comum. Cerca de 60% das pessoas com depressao tambem tem ansiedade. As duas condicoes compartilham alguns mecanismos cerebrais e frequentemente coexistem. O tratamento pode abordar ambas simultaneamente, e muitos antidepressivos tambem ajudam na ansiedade.

    Fontes e referências científicas

    Este artigo foi elaborado com base em fontes confiáveis e estudos científicos:

    Mensagem final

    Se você está lendo isso e reconhecendo os sintomas em si mesmo, saiba: você não está sozinho. Não é culpa sua. E você pode melhorar.

    Depressão mente para você. Ela diz que você é inútil, que nada vai melhorar, que não vale a pena buscar ajuda. Mas isso é a doença falando, não a verdade.

    O primeiro passo — reconhecer que algo não está bem — você já deu ao chegar até aqui. O próximo passo é buscar ajuda profissional. E sim, você merece essa ajuda.

    A recuperação é possível. E ela começa hoje.


    Nota: Este artigo é informativo e não substitui avaliação médica. Se você está em crise, procure ajuda imediatamente ligando 188 (CVV) ou 192 (SAMU).

    Você acorda e o peso já está lá. Não é físico, mas parece que alguém colocou um cobertor de chumbo sobre seu peito. Levantar da cama é uma vitória. Tomar banho, outra. E você se pergunta: “Por que tudo parece tão difícil? Por que eu não consigo simplesmente… viver?” Se essas perguntas ecoam em você, talvez esteja lidando com depressão — e não, não é frescura.

    A depressão é uma das condições de saúde mental mais comuns no mundo, afetando mais de 280 milhões de pessoas globalmente. No Brasil, cerca de 10% da população já teve ou terá depressão em algum momento da vida. E a boa notícia? Ela tem tratamento eficaz.

    O que é depressão?

    Depressão (ou Transtorno Depressivo Maior) é muito mais que tristeza passageira. É uma condição médica real que afeta o cérebro, alterando humor, pensamentos, comportamento e até funções físicas.

    Não é:

    • Frescura ou falta de força de vontade
    • Algo que você pode “superar sozinho” apenas com pensamento positivo
    • Sinal de fraqueza ou falha pessoal
    • Uma fase que passa sozinha

    Depressão é:

    • Uma doença médica com causas biológicas, psicológicas e sociais
    • Tratável com terapia, medicação ou ambos
    • Tão real quanto diabetes ou hipertensão
    • Algo que pode acontecer com qualquer pessoa

    Sintomas da depressão

    Para ser diagnosticada como depressão, os sintomas precisam estar presentes por pelo menos 2 semanas e interferir significativamente na vida da pessoa. Eles se dividem em três categorias:

    1. Sintomas Emocionais

    • Tristeza profunda e persistente — uma tristeza que não passa, sem motivo aparente
    • Perda de interesse ou prazer — nada mais parece valer a pena, nem as coisas que você adorava
    • Sensação de vazio — como se algo vital tivesse sido arrancado de você
    • Irritabilidade — pequenas coisas viram motivo de raiva ou frustração
    • Sentimento de culpa ou inutilidade — “eu não sirvo para nada”, “sou um peso para todo mundo”
    • Desesperança — a sensação de que nada vai melhorar
    • Choro fácil — às vezes sem conseguir identificar o motivo

    2. Sintomas Cognitivos (Pensamento)

    • Dificuldade de concentração — ler, trabalhar ou assistir algo fica quase impossível
    • Indecisão — até escolhas simples parecem monumentais
    • Memória prejudicada — esquecimentos frequentes
    • Pensamentos negativos recorrentes — ciclos mentais de autocrítica
    • Pensamentos de morte ou suicídio — quando a dor parece insuportável
    • Lentidão mental — como se o cérebro estivesse na marcha lenta

    3. Sintomas Físicos e Comportamentais

    • Alterações no sono:
      • Insônia (não conseguir dormir)
      • Hipersonia (dormir demais, mas acordar exausto)
    • Mudanças no apetite e peso:
      • Perda de apetite e emagrecimento
      • Ou aumento de apetite e ganho de peso
    • Fadiga constante — cansaço extremo mesmo sem esforço físico
    • Lentidão psicomotora — movimentos e fala mais lentos
    • Ou agitação psicomotora — inquietação, incapacidade de ficar parado
    • Dores físicas inexplicáveis — dores de cabeça, nas costas, no estômago
    • Isolamento social — evitar pessoas, não responder mensagens
    • Negligência com cuidados pessoais — não tomar banho, não se arrumar

    Quando procurar ajuda?

    Se você tem 5 ou mais desses sintomas quase todos os dias por pelo menos 2 semanas, e eles estão atrapalhando sua vida (trabalho, relacionamentos, autocuidado), é hora de buscar ajuda profissional.

    EMERGÊNCIA: Se você está tendo pensamentos suicidas ou planejando se machucar:

    • CVV (Centro de Valorização da Vida): Ligue 188 (24h, gratuito)
    • SAMU: 192
    • Vá ao pronto-socorro mais próximo
    • Conte para alguém de confiança AGORA

    Tipos de depressão

    Nem toda depressão é igual. Existem vários tipos:

    Transtorno Depressivo Maior (TDM)

    A forma “clássica” da depressão, com episódios que podem durar meses se não tratados.

    Depressão Persistente (Distimia)

    Sintomas mais leves, mas que duram pelo menos 2 anos. É como viver em “modo cinza” constantemente.

    Depressão Pós-Parto

    Afeta até 1 em cada 5 mulheres após o parto. Não é “baby blues” — é mais intenso e duradouro. Leia mais sobre depressão pós-parto aqui.

    Transtorno Afetivo Sazonal (TAS)

    Depressão que aparece em épocas específicas do ano, geralmente no inverno (falta de luz solar).

    Transtorno Bipolar

    Alterna entre episódios de depressão e mania (energia extrema, euforia). Requer tratamento específico.

    Causas da depressão

    A depressão não tem uma única causa. É uma combinação de fatores:

    1. Fatores Biológicos

    • Desequilíbrio de neurotransmissores — serotonina, dopamina, noradrenalina
    • Genética — histórico familiar aumenta o risco
    • Alterações cerebrais — mudanças estruturais no cérebro
    • Hormônios — tireoide, cortisol, hormônios sexuais
    • Condições médicas — doenças crônicas, dor persistente

    2. Fatores Psicológicos

    • Trauma — abuso, negligência, perdas (veja mais sobre TEPT aqui)
    • Estresse crônico — problemas no trabalho, relacionamentos
    • Baixa autoestima
    • Perfeccionismo ou autocrítica excessiva
    • Padrões de pensamento negativo

    3. Fatores Ambientais/Sociais

    • Isolamento social
    • Problemas financeiros
    • Desemprego
    • Conflitos familiares
    • Falta de suporte social
    • Discriminação (racismo, homofobia, etc.)

    Tratamento da depressão

    A boa notícia: depressão tem tratamento eficaz. A maioria das pessoas melhora significativamente com o tratamento adequado.

    1. Psicoterapia

    Especialmente eficaz:

    • Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) — identificar e mudar padrões de pensamento negativos
    • Terapia Interpessoal — focar em relacionamentos e comunicação
    • Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) — aceitar emoções difíceis e agir conforme seus valores
    • Psicanálise — explorar causas profundas

    Considere terapia online — tão eficaz quanto presencial, mais acessível e conveniente.

    2. Medicação (Antidepressivos)

    Indicados para depressão moderada a grave. Não causam dependência quando usados corretamente.

    Principais classes:

    • ISRS (Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina) — Fluoxetina, Sertralina, Escitalopram
    • IRSN — Venlafaxina, Duloxetina
    • Antidepressivos atípicos — Bupropiona, Mirtazapina

    Importante:

    • Demoram 2-4 semanas para fazer efeito
    • Efeitos colaterais são temporários na maioria dos casos
    • NUNCA pare de tomar sem orientação médica
    • Podem ser necessários ajustes de dose ou mudança de medicação

    3. Mudanças no Estilo de Vida

    Complementam (não substituem) o tratamento profissional:

    • Exercício físico — 30 min, 3-5x/semana (pode ser caminhada)
    • Sono regular — dormir e acordar no mesmo horário (veja dicas de sono aqui)
    • Alimentação balanceada — ômega-3, vitamina D, magnésio
    • Luz solar — exposição diária (15-30 min)
    • Conexão social — mesmo que seja difícil, tente manter contato
    • Evitar álcool e drogas — pioram a depressão
    • Meditação e mindfulnesstécnicas comprovadas aqui

    4. Tratamentos Complementares

    • Eletroconvulsoterapia (ECT) — para casos graves que não respondem a outros tratamentos
    • Estimulação Magnética Transcraniana (EMT)
    • Terapia de Luz — especialmente para TAS

    Depressão vs. Tristeza vs. Ansiedade

    Tristeza Normal

    • Resposta natural a perdas ou decepções
    • Vem em ondas, alternando com momentos normais
    • Melhora com tempo e suporte social
    • Não impede totalmente o funcionamento

    Depressão

    • Tristeza persistente e profunda (2+ semanas)
    • Perda de interesse em TUDO
    • Não melhora sozinha
    • Interfere significativamente na vida

    Ansiedade

    • Foco no futuro (“e se…?”)
    • Agitação e inquietação
    • Pode coexistir com depressão

    Saiba mais: Diferença entre ansiedade e depressão

    Mitos e verdades sobre depressão

    MITO: “É só ter força de vontade”

    VERDADE: Depressão é uma doença médica. Você não pode “querer” sair dela, assim como não pode “querer” curar uma diabetes.

    MITO: “Antidepressivos viciam”

    VERDADE: Antidepressivos não causam dependência química. Podem causar sintomas de descontinuação se parados abruptamente, mas isso é diferente de vício.

    MITO: “Só quem tem motivo para estar triste fica deprimido”

    VERDADE: Depressão pode aparecer mesmo quando “tudo está bem” na vida. É uma questão de química cerebral, não de circunstâncias.

    MITO: “Terapia é para quem é fraco”

    VERDADE: Buscar ajuda é sinal de força e autocuidado, não fraqueza.

    MITO: “Depressão é só coisa de adulto”

    VERDADE: Crianças e adolescentes também podem ter depressão (mas os sintomas podem ser diferentes).

    Como ajudar alguém com depressão

    Se alguém que você ama está com depressão:

    FAÇA:

    • Ouça sem julgar
    • Valide os sentimentos: “Eu acredito que você está sofrendo”
    • Ofereça ajuda prática: fazer compras, acompanhar a consultas
    • Incentive buscar ajuda profissional
    • Seja paciente — recuperação leva tempo
    • Continue presente, mesmo se a pessoa se afastar

    NÃO FAÇA:

    • Dizer “você só precisa sair mais” ou “pense positivo”
    • Minimizar: “todo mundo tem problemas”
    • Fazer comparações: “fulano passou por pior e está bem”
    • Pressionar para “melhorar logo”
    • Culpar: “você não está se esforçando o suficiente”
    • Assumir que sabe como a pessoa se sente

    Recursos e próximos passos

    Onde buscar ajuda:

    • CVV (Centro de Valorização da Vida): 188 (24h, gratuito)
    • CAPS (Centros de Atenção Psicossocial): atendimento gratuito pelo SUS
    • UBS (Unidade Básica de Saúde): porta de entrada do SUS
    • Psicólogo online: plataformas acessíveis (veja opções aqui)
    • Psiquiatra: para avaliação e prescrição de medicamentos

    Leia também:

    Perguntas frequentes

    Depressao tem cura?

    A depressao e altamente tratavel. A maioria das pessoas melhora significativamente com tratamento adequado (terapia, medicacao ou ambos). Alguns tem um unico episodio; outros podem ter recorrencias. Com acompanhamento continuo, e possivel viver bem e prevenir recaidas. O importante e buscar ajuda e manter o tratamento.

    Quanto tempo leva para antidepressivos fazerem efeito?

    Antidepressivos geralmente levam 2-4 semanas para comecar a fazer efeito significativo. Algumas pessoas notam pequenas melhoras antes, outras demoram ate 6-8 semanas. E importante nao desistir cedo demais e manter comunicacao com o medico sobre como esta se sentindo.

    Posso parar de tomar antidepressivo quando me sentir melhor?

    Nunca pare antidepressivos por conta propria. Interrupcao abrupta pode causar sintomas de descontinuacao e aumentar risco de recaida. O medico geralmente recomenda continuar por 6-12 meses apos a melhora, depois fazer reducao gradual. Sempre converse com seu medico antes de qualquer mudanca.

    Depressao e diferente de tristeza?

    Sim. Tristeza e uma emocao normal que vem e vai, geralmente ligada a eventos especificos. Depressao e persistente (2+ semanas), afeta multiplas areas da vida, inclui sintomas fisicos e cognitivos, e nao melhora sozinha. Se a tristeza nao passa e esta atrapalhando sua vida, pode ser depressao.

    E possivel ter depressao e ansiedade ao mesmo tempo?

    Sim, e muito comum. Cerca de 60% das pessoas com depressao tambem tem ansiedade. As duas condicoes compartilham alguns mecanismos cerebrais e frequentemente coexistem. O tratamento pode abordar ambas simultaneamente, e muitos antidepressivos tambem ajudam na ansiedade.

    Fontes e referências científicas

    Este artigo foi elaborado com base em fontes confiáveis e estudos científicos:

    Mensagem final

    Se você está lendo isso e reconhecendo os sintomas em si mesmo, saiba: você não está sozinho. Não é culpa sua. E você pode melhorar.

    Depressão mente para você. Ela diz que você é inútil, que nada vai melhorar, que não vale a pena buscar ajuda. Mas isso é a doença falando, não a verdade.

    O primeiro passo — reconhecer que algo não está bem — você já deu ao chegar até aqui. O próximo passo é buscar ajuda profissional. E sim, você merece essa ajuda.

    A recuperação é possível. E ela começa hoje.


    Nota: Este artigo é informativo e não substitui avaliação médica. Se você está em crise, procure ajuda imediatamente ligando 188 (CVV) ou 192 (SAMU).

  • Burnout: o guia completo — sintomas, causas, prevenção e recuperação

    Burnout: o guia completo — sintomas, causas, prevenção e recuperação

    Você acorda cansado, mesmo depois de dormir. Vai para o trabalho sentindo um peso enorme. Perdeu o entusiasmo por coisas que antes te motivavam. Se isso soa familiar, você pode estar vivendo um burnout — a síndrome do esgotamento profissional que afeta milhões de brasileiros.

    Neste guia completo, você vai entender o que é burnout, aprender a identificar os sinais precoces, conhecer as causas e descobrir caminhos eficazes para prevenção e recuperação.

    Dados alarmantes: Em 2024, mais de 440 mil brasileiros foram afastados do trabalho por transtornos mentais — o maior número em uma década. O burnout está no centro dessa epidemia silenciosa.

    O que é burnout?

    O burnout (ou Síndrome do Esgotamento Profissional) é um estado de exaustão física, emocional e mental causado por estresse crônico no trabalho. Não é apenas “estar cansado” — é um esgotamento profundo que afeta sua capacidade de funcionar.

    Em 2022, a OMS incluiu oficialmente o burnout na Classificação Internacional de Doenças (CID-11), reconhecendo-o como um fenômeno ocupacional — resultado de estresse crônico no trabalho que não foi gerenciado adequadamente.

    As três dimensões do burnout (segundo a OMS)

    Segundo a OMS, o burnout é caracterizado por três dimensões:

    1. Exaustão: Sensação de esgotamento total de energia física e emocional
    2. Cinismo/Distanciamento: Sentimentos negativos, desapego ou distância mental em relação ao trabalho
    3. Redução da eficácia: Sensação de incompetência, baixa produtividade e falta de realização profissional

    Sintomas de burnout: como identificar

    O burnout não acontece da noite para o dia. Ele se desenvolve gradualmente, e reconhecer os sinais precoces pode evitar um colapso maior. Conheça os principais sintomas:

    Sintomas físicos

    • Fadiga crônica: Cansaço que não melhora com descanso
    • Insônia: Dificuldade para dormir ou sono não reparador
    • Dores frequentes: Cabeça, costas, tensão muscular
    • Sistema imunológico enfraquecido: Fica doente com frequência
    • Alterações no apetite: Comer demais ou perder a fome
    • Problemas digestivos: Gastrite, síndrome do intestino irritável
    • Palpitações e pressão alta

    Se você está tendo problemas para dormir, leia nosso guia sobre insônia: causas, tipos e quando procurar ajuda.

    Sintomas emocionais

    • Sensação de fracasso e incompetência
    • Sentir-se sozinho e isolado
    • Perda de motivação e propósito
    • Visão cada vez mais negativa e cínica
    • Diminuição da satisfação
    • Sentimento de desapego e vazio
    • Irritabilidade e impaciência crescentes
    • Ansiedade e/ou depressão

    Se você está se sentindo ansioso, conheça as técnicas de respiração para acalmar a ansiedade.

    Sintomas comportamentais

    • Queda de desempenho no trabalho
    • Isolamento de colegas, amigos e família
    • Procrastinação crescente
    • Faltas e atrasos frequentes
    • Uso de álcool, comida ou outras substâncias para lidar
    • Negligenciar responsabilidades
    • Descontar frustrações em outros

    👉 Leia também: 12 Sinais de Que Você Está com Burnout (E Não É Só Cansaço)

    Burnout vs. estresse vs. depressão: entenda as diferenças

    É comum confundir burnout com estresse “normal” ou depressão. Entender as diferenças ajuda a buscar o tratamento certo.

    CaracterísticaEstresseBurnoutDepressão
    EnergiaHiperatividade, tensãoEsgotamento totalBaixa energia generalizada
    EmoçõesReativas, intensasEmbotadas, apáticasTristeza profunda, vazio
    FocoRelacionado a demandas específicasRelacionado ao trabalhoAfeta todas as áreas da vida
    EsperançaPresente (se resolver o problema)Pode recuperar com mudançasDesesperança persistente
    MotivaçãoUrgência excessivaDesistência, cinismoPerda de interesse em tudo
    DuraçãoTemporário, situacionalCrônico, progressivoEpisódios de semanas/meses

    Importante: Burnout prolongado pode evoluir para depressão. Se você está tendo pensamentos de que não vale a pena viver, procure ajuda imediatamente (CVV: 188). Entenda mais sobre a diferença entre ansiedade e estresse.

    O que causa burnout?

    O burnout não é culpa sua — é resultado de um descompasso entre você e seu ambiente de trabalho. As principais causas incluem:

    Fatores organizacionais (do trabalho)

    • Carga de trabalho excessiva: Demandas impossíveis de cumprir no tempo disponível
    • Falta de controle: Pouca autonomia sobre decisões e tarefas
    • Recompensa insuficiente: Não apenas financeira, mas falta de reconhecimento
    • Comunidade tóxica: Conflitos, falta de apoio, isolamento no trabalho
    • Injustiça: Favoritismo, políticas desiguais, falta de transparência
    • Valores conflitantes: Fazer coisas que contradizem seus princípios
    • Comunicação deficiente: Expectativas confusas, feedback ausente

    Saiba mais sobre como identificar e lidar com um ambiente de trabalho tóxico.

    Fatores pessoais de risco

    • Perfeccionismo: Padrões impossíveis para si mesmo
    • Dificuldade de dizer não: Assumir mais do que pode
    • Identidade muito ligada ao trabalho: “Eu sou meu trabalho”
    • Necessidade de controle: Dificuldade em delegar
    • Falta de vida fora do trabalho: Ausência de hobbies, relacionamentos

    Se você se cobra demais, leia nosso artigo sobre o lado oculto do perfeccionismo.

    Profissões de alto risco para burnout

    Algumas profissões têm taxas mais altas de burnout devido à natureza do trabalho:

    • Profissionais de saúde: Médicos, enfermeiros, técnicos — veja nosso guia específico sobre burnout em profissionais de saúde
    • Professores e educadores
    • Assistentes sociais e cuidadores
    • Profissionais de tecnologia
    • Advogados e profissionais do direito
    • Jornalistas e comunicadores
    • Atendentes de call center
    • Pais e mães (sim, parentalidade também pode causar burnout) — leia sobre burnout parental

    Os 5 estágios do burnout

    O burnout geralmente progride em estágios. Identificar onde você está ajuda a agir antes que piore:

    Estágio 1: Lua de mel

    Você está empolgado com um novo emprego ou projeto. Energia alta, otimismo, comprometimento total. Mas começa a ignorar limites e sinais de cansaço.

    Estágio 2: Início do estresse

    O otimismo diminui. Você percebe dias mais difíceis, cansaço no final do expediente, dificuldade de focar, irritabilidade ocasional. Ainda é administrável.

    Estágio 3: Estresse crônico

    Os sintomas se intensificam. Exaustão constante, cinismo crescente, atrasos, procrastinação, ressentimento, impacto em relacionamentos. O trabalho começa a afetar outras áreas.

    Estágio 4: Burnout instalado

    Os sintomas se tornam críticos. Dificuldade de funcionar no dia a dia, problemas de saúde sérios, sensação de vazio, obsessão com problemas do trabalho, dúvida sobre si mesmo e suas capacidades.

    Estágio 5: Burnout habitual (colapso)

    Os sintomas estão tão incorporados que você não percebe mais o quanto está mal. Fadiga crônica física e mental, depressão, possível colapso. Requer intervenção profissional urgente.

    Como prevenir o burnout: estratégias práticas

    A prevenção é sempre melhor que a recuperação. Estratégias práticas para proteger sua saúde mental:

    No ambiente de trabalho

    • Estabeleça limites claros: Defina horário de trabalho, disponibilidade e carga máxima
    • Aprenda a dizer não: Proteja seu tempo e energia — veja nosso guia sobre como estabelecer limites saudáveis
    • Faça pausas reais: Almoce longe do computador, faça micro-pausas durante o dia
    • Comunique-se: Fale sobre carga de trabalho com gestores
    • Priorize: Nem tudo é urgente. Use matrizes de priorização
    • Delegue: Você não precisa fazer tudo sozinho

    Na vida pessoal

    • Cultive vida fora do trabalho: Hobbies, relacionamentos, lazer
    • Cuide do básico: Sono de qualidade, alimentação equilibrada, exercício físico
    • Pratique desconexão: Momentos sem celular, e-mail, trabalho
    • Mantenha conexões sociais: Amigos, família, comunidade
    • Reserve tempo para recuperação: Férias, fins de semana reais de descanso
    • Pratique mindfulness: Técnicas de atenção plena ajudam a reduzir estresse

    👉 Leia também: Como Prevenir o Burnout: 15 Estratégias Práticas

    Como se recuperar do burnout: passo a passo

    Se você já está em burnout, a recuperação é possível — mas requer ação intencional e, muitas vezes, ajuda profissional.

    Passo 1: Reconheça e aceite

    Admitir que está em burnout não é fraqueza. É o primeiro passo para sair dele. Negar ou minimizar só prolonga o sofrimento.

    Passo 2: Busque ajuda profissional

    Um psicólogo ou psiquiatra pode ajudar a:

    • Avaliar a gravidade e descartar depressão ou outros transtornos
    • Desenvolver estratégias de enfrentamento personalizadas
    • Trabalhar crenças que contribuem para o burnout
    • Avaliar necessidade de medicação ou afastamento

    Não sabe se precisa de ajuda? Leia quando procurar ajuda profissional.

    Passo 3: Considere afastamento

    Em casos severos, o afastamento médico pode ser necessário. Burnout é reconhecido pelo INSS como motivo para licença desde 2022.

    Passo 4: Recupere o básico

    • Sono: Prioridade máxima. Sem sono, não há recuperação — veja nossa guia de higiene do sono
    • Movimento: Exercício leve, caminhadas ao ar livre
    • Alimentação: Nutra seu corpo e cérebro
    • Conexão: Não se isole — mantenha contato com pessoas queridas

    Passo 5: Reavalie sua situação

    Pergunte-se honestamente:

    • O que me levou ao burnout?
    • O que precisa mudar para não voltar a esse estado?
    • Este trabalho/empresa é compatível com minha saúde?
    • Quais limites preciso estabelecer?

    Passo 6: Retorno gradual

    Não volte ao mesmo ritmo que te adoeceu. Retorno gradual, com novos limites e estratégias, é essencial para não recair.

    👉 Guia completo: Recuperação do burnout: passo a passo para retomar sua vida

    Burnout e a lei brasileira: seus direitos

    No Brasil, o burnout é reconhecido como doença ocupacional desde janeiro de 2022, quando passou a constar na CID-11 adotada pelo país. Isso significa:

    • Direito a afastamento pelo INSS: Com atestado médico, você pode ser afastado pelo auxílio-doença
    • Estabilidade de 12 meses após retorno: Você não pode ser demitido sem justa causa por 1 ano após retornar
    • Possível responsabilização da empresa: Se o ambiente de trabalho causou o burnout
    • Direito a tratamento adequado: Pelo SUS ou plano de saúde

    Se você está em burnout, um médico pode fornecer atestado e encaminhar para perícia do INSS se necessário.

    FAQ: Perguntas frequentes sobre burnout

    Você não está sozinho

    Se você reconheceu os sinais de burnout em si mesmo, saiba que:

    • Não é fraqueza. É resultado de condições de trabalho inadequadas e cultura que glorifica a exaustão.
    • É tratável. Com ajuda profissional e mudanças estruturais, a recuperação é possível.
    • Você merece cuidado. Sua saúde vale mais que qualquer emprego ou promoção.

    O primeiro passo é reconhecer. O segundo é agir. Você já deu o primeiro ao ler este artigo.

    Precisa de ajuda agora?

    • CVV: 188 (24 horas, gratuito) — para crises emocionais
    • CAPS: Centro de Atenção Psicossocial da sua cidade — atendimento pelo SUS
    • UBS: Unidades Básicas de Saúde podem encaminhar para psicólogo/psiquiatra
    • Médico do trabalho: Para avaliação e possível afastamento

    Leia também


    Referências científicas

    1. World Health Organization (2022). International Classification of Diseases 11th Revision (ICD-11). Burnout – QD85.
    2. Maslach, C., & Leiter, M. P. (2016). Understanding the burnout experience: recent research and its implications for psychiatry. World Psychiatry, 15(2), 103-111.
    3. Ministério da Saúde do Brasil (2024). Boletim Epidemiológico: Saúde Mental Relacionada ao Trabalho.
    4. Salvagioni, D. A. J., et al. (2017). Physical, psychological and occupational consequences of job burnout: A systematic review. PLOS ONE, 12(10), e0185781.
    5. ISMA-BR (2024). Pesquisa: Estresse e Burnout no Trabalhador Brasileiro.

    Aviso importante: Este conteúdo é informativo e educacional, não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico profissional. O burnout é uma condição séria que pode requerer acompanhamento de psicólogo, psiquiatra ou médico do trabalho. Se você está em sofrimento intenso ou tendo pensamentos de autolesão, procure ajuda profissional imediatamente ou ligue para o CVV: 188.


    Este artigo foi produzido pela Equipe Sereny com revisão técnica de profissionais de saúde mental. Última atualização: janeiro de 2026.

  • Sintomas de ansiedade: o guia completo para identificar os sinais

    Sintomas de ansiedade: o guia completo para identificar os sinais

    Você sente o coração disparar sem motivo aparente? Tem dificuldade para dormir porque a mente não para? Sente uma tensão constante nos ombros? Esses podem ser sintomas de ansiedade — e reconhecê-los é o primeiro passo para cuidar da sua saúde mental.

    Neste guia completo, você vai aprender a identificar os sinais de ansiedade no corpo, na mente e no comportamento. Vamos também diferenciar a ansiedade comum dos transtornos de ansiedade e entender quando é hora de buscar ajuda profissional.

    O que são sintomas de ansiedade?

    Sintomas de ansiedade são as manifestações físicas, emocionais e comportamentais que o corpo apresenta quando percebe uma ameaça — real ou imaginária. Segundo a Organização Mundial da Saúde (2023), mais de 264 milhões de pessoas no mundo sofrem com transtornos de ansiedade, tornando-a a condição de saúde mental mais prevalente globalmente.

    Como a ansiedade se manifesta?

    A ansiedade é uma resposta do corpo inteiro. Quando percebemos uma ameaça, nosso sistema nervoso dispara uma cascata de reações físicas, emocionais e comportamentais.

    O problema é que muitas vezes não reconhecemos esses sinais como ansiedade. Pensamos que é “só estresse“, problemas físicos ou “jeito de ser”. Conhecer os sintomas ajuda a nomear o que está acontecendo — e isso já traz alívio.

    Sintomas físicos da ansiedade

    A ansiedade se manifesta fortemente no corpo. Isso acontece porque a resposta de “luta ou fuga” prepara seu organismo para enfrentar perigos — aumentando batimentos cardíacos, tensionando músculos e redirecionando energia.

    Sintomas cardiovasculares

    • Coração acelerado (taquicardia): Sensação de que o coração está “disparado”, mesmo em repouso
    • Palpitações: Percepção incômoda dos batimentos, como se o coração “pulasse” ou “falhasse”
    • Dor ou aperto no peito: Pode assustar e ser confundido com problemas cardíacos
    • Pressão arterial elevada: Especialmente durante episódios de ansiedade intensa

    Importante: Dor no peito sempre merece atenção médica para descartar problemas cardíacos. Porém, é comum que seja sintoma de ansiedade quando exames descartam causas físicas.

    Sintomas respiratórios

    • Falta de ar: Sensação de não conseguir respirar fundo o suficiente
    • Respiração acelerada e superficial: Hiperventilação
    • Sensação de sufocamento: Como se algo apertasse a garganta
    • Suspiros frequentes: Tentativa inconsciente de “pegar mais ar”

    Aprenda técnicas de respiração que ajudam a controlar esses sintomas.

    Sintomas musculares

    • Tensão muscular crônica: Especialmente no pescoço, ombros, mandíbula e costas
    • Tremores: Mãos trêmulas, pernas bambas
    • Sensação de fraqueza: “Pernas de gelatina”
    • Dores de cabeça tensionais: Pressão na testa, têmporas ou nuca
    • Bruxismo: Ranger ou apertar os dentes, especialmente à noite

    Sintomas gastrointestinais

    O sistema digestivo é muito sensível ao estresse e ansiedade. Não é à toa que falamos em “frio na barriga” ou “embrulho no estômago”.

    • Náusea: Enjoo, especialmente de manhã ou antes de eventos
    • Dor ou desconforto abdominal: Cólicas, pontadas
    • Diarreia ou constipação: Alterações no funcionamento intestinal
    • Sensação de “borboletas” no estômago
    • Perda de apetite ou compulsão alimentar
    • Síndrome do intestino irritável: Frequentemente associada à ansiedade

    Outros sintomas físicos

    • Suor excessivo: Palmas das mãos suadas, suor frio
    • Ondas de calor ou calafrios
    • Tontura ou vertigem: Sensação de desequilíbrio
    • Formigamento: Especialmente nas mãos, pés e rosto
    • Boca seca
    • Urgência urinária: Necessidade frequente de ir ao banheiro
    • Fadiga constante: Mesmo dormindo, acorda cansado
    • Insônia: Dificuldade para adormecer, sono fragmentado ou despertar precoce

    Sintomas psicológicos e emocionais

    A ansiedade não afeta apenas o corpo — ela transforma a forma como pensamos, sentimos e percebemos o mundo.

    Sintomas cognitivos (do pensamento)

    • Preocupação excessiva: Pensamentos repetitivos sobre o que pode dar errado
    • Pensamentos catastróficos: Imaginar os piores cenários possíveis
    • Dificuldade de concentração: Mente “em outro lugar”, esquecimentos
    • Mente acelerada: Pensamentos que não param, como um “turbilhão”
    • Mente em branco: Incapacidade de pensar claramente em momentos de pressão
    • Ruminação: Ficar “mastigando” os mesmos pensamentos repetidamente
    • Dificuldade para tomar decisões: Medo de fazer a escolha errada

    Sintomas emocionais

    • Sensação de medo ou pavor: Sem motivo aparente ou desproporcional
    • Irritabilidade: “Pavio curto”, intolerância a pequenas frustrações
    • Inquietação: Sensação de estar “no limite”, incapaz de relaxar
    • Sensação de que algo ruim vai acontecer: Pressentimento constante
    • Medo de perder o controle: De si mesmo, da situação ou das emoções
    • Medo de enlouquecer
    • Medo de morrer: Especialmente durante ataques de pânico
    • Sensação de irrealidade (despersonalização): Como se estivesse “fora do corpo”

    Sintomas comportamentais

    A ansiedade também muda a forma como agimos. Muitas vezes, desenvolvemos comportamentos para evitar o desconforto — o que pode trazer alívio momentâneo, mas alimenta o ciclo da ansiedade.

    • Evitação: Fugir de situações que causam ansiedade
    • Procrastinação: Adiar tarefas por medo de não dar conta
    • Busca excessiva por reasseguramento: Perguntar repetidamente se está tudo bem
    • Hábitos nervosos: Roer unhas, arrancar cabelos, cutucar a pele
    • Hipervigilância: Estado de alerta constante
    • Verificação repetitiva: Checar portas, fogão, mensagens várias vezes
    • Isolamento social: Evitar encontros e interações
    • Perfeccionismo paralisante: Não conseguir finalizar tarefas por medo de errar

    Sintomas de ataque de pânico

    O ataque de pânico é uma forma extrema de ansiedade. Os sintomas são intensos, atingem o pico em minutos e podem ser aterrorizantes. Muitas pessoas acreditam estar tendo um infarto ou morrendo.

    Sintomas comuns durante um ataque de pânico:

    • Palpitações intensas ou coração “pulando”
    • Dor ou pressão no peito
    • Falta de ar intensa
    • Tontura ou sensação de desmaio
    • Tremores incontroláveis
    • Suor intenso
    • Náusea
    • Formigamento nas extremidades
    • Sensação de irrealidade
    • Medo intenso de morrer ou enlouquecer

    Os ataques geralmente duram de 10 a 30 minutos, embora possam parecer uma eternidade. Eles não são perigosos, mas são muito assustadores para quem vive.

    Ansiedade normal vs. Transtorno de ansiedade

    Todos sentem ansiedade. Ela é normal e até útil em certas situações. A questão é: quando a ansiedade deixa de ser normal e se torna um problema?

    Ansiedade NormalTranstorno de Ansiedade
    Relacionada a situações específicasPresente mesmo sem motivo claro
    Intensidade proporcional à situaçãoIntensidade desproporcional
    Passa quando o evento terminaPersiste por semanas ou meses
    Não impede atividades importantesLimita trabalho, relacionamentos, lazer
    Você consegue controlarParece incontrolável

    Quando os sintomas indicam algo mais sério

    Procure avaliação profissional se você apresenta vários dos sintomas listados e:

    • Os sintomas persistem por mais de algumas semanas
    • A ansiedade está atrapalhando seu trabalho ou estudos
    • Seus relacionamentos estão sendo afetados
    • Você está evitando situações importantes
    • Os sintomas físicos são frequentes ou intensos
    • Você está tendo ataques de pânico
    • Está usando álcool ou outras substâncias para lidar com a ansiedade
    • Está tendo pensamentos de se machucar

    O que fazer agora?

    Se você se identificou com vários sintomas deste artigo, não se desespere. A ansiedade é altamente tratável. O primeiro passo é reconhecer o que está acontecendo — e você já deu esse passo.

    Próximos passos sugeridos:

    1. Não minimize: Seus sintomas são reais e merecem atenção
    2. Aprenda técnicas de alívio: Técnicas de respiração podem ajudar nos momentos difíceis
    3. Cuide do básico: Sono, alimentação e exercício físico impactam diretamente a ansiedade
    4. Busque apoio: Converse com pessoas de confiança sobre o que está sentindo
    5. Considere ajuda profissional: Psicólogos e psiquiatras são especialistas em ansiedade

    Perguntas frequentes

    Sintomas de ansiedade podem ser confundidos com outras doenças?

    Sim, os sintomas físicos da ansiedade frequentemente imitam condições cardíacas, respiratórias, gastrointestinais ou neurológicas. É comum pessoas com ansiedade passarem por vários exames antes do diagnóstico correto. Por isso, é importante descartar causas físicas com exames médicos, especialmente para sintomas como dor no peito ou falta de ar.

    Crianças podem ter sintomas de ansiedade?

    Sim, crianças também apresentam sintomas de ansiedade, mas podem se manifestar de forma diferente: dores de barriga frequentes, medo excessivo de se separar dos pais, recusa em ir à escola, choro fácil, irritabilidade e dificuldade para dormir sozinha. É importante procurar um psicólogo infantil se os sintomas persistirem.

    Ansiedade pode causar sintomas físicos reais?

    Sim, absolutamente. Os sintomas físicos da ansiedade são reais — não são “coisa da sua cabeça”. A resposta de luta ou fuga libera hormônios como adrenalina e cortisol, que causam alterações físicas mensuráveis: aumento da frequência cardíaca, tensão muscular, alterações digestivas. O corpo realmente está reagindo.

    Por que meus sintomas de ansiedade parecem piorar à noite?

    À noite, há menos distrações e o cérebro tende a processar as preocupações do dia. O silêncio e a escuridão podem amplificar a percepção dos sintomas físicos. Além disso, a fadiga acumulada reduz nossa capacidade de lidar com pensamentos ansiosos. Criar uma rotina de relaxamento antes de dormir pode ajudar.

    É possível ter ansiedade sem perceber?

    Sim, algumas pessoas vivem com níveis elevados de ansiedade há tanto tempo que normalizam os sintomas. Tensão muscular crônica, irritabilidade constante ou dificuldade para relaxar podem ser sinais de ansiedade não reconhecida. Prestar atenção aos sinais do corpo e fazer um check-up com profissional de saúde mental pode ajudar na identificação.

    Você não está sozinho

    A ansiedade é um dos transtornos mentais mais comuns do mundo. Milhões de pessoas vivem com ela — e milhões encontram formas de viver bem, com tratamento e apoio adequados.

    Reconhecer seus sintomas não é fraqueza. É o primeiro passo para uma vida com mais tranquilidade.

    Referências

    1. Organização Mundial da Saúde. (2023). World Mental Health Report: Transforming Mental Health for All.
    2. American Psychiatric Association. (2022). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5-TR).
    3. Associação Brasileira de Psiquiatria. (2024). Diretrizes para Diagnóstico e Tratamento de Transtornos de Ansiedade.
    4. Clark, D. A., & Beck, A. T. (2023). Cognitive Therapy of Anxiety Disorders: Science and Practice. Guilford Press.
    5. Ministério da Saúde do Brasil. (2024). Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas – Transtornos de Ansiedade.

    Aviso importante: Este conteúdo tem caráter informativo e educacional, e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento de um profissional de saúde mental. Se você está passando por uma crise ou tem pensamentos de autolesão, procure ajuda imediatamente: CVV (188) ou CAPS mais próximo.


    Este artigo foi produzido pela Equipe Sereny. Última atualização: janeiro de 2026.

    Leia também:

  • Ansiedade: o guia completo — sintomas, causas, tipos e tratamentos

    Ansiedade: o guia completo — sintomas, causas, tipos e tratamentos

    A ansiedade faz parte da vida de todos nós. Aquela sensação antes de uma entrevista de emprego, a expectativa para um resultado de exame, o frio na barriga antes de uma apresentação — tudo isso é normal e até útil. Mas quando a ansiedade se torna constante, desproporcional e começa a atrapalhar seu dia a dia, é hora de prestar atenção.

    Neste guia completo, você vai entender o que é ansiedade, conhecer seus diferentes tipos, aprender a identificar os sintomas e descobrir as opções de tratamento mais eficazes segundo a ciência. Vamos juntos?

    O que é ansiedade?

    A ansiedade é uma resposta natural do corpo a situações de perigo, desafio ou incerteza. É nosso sistema de alarme interno — uma herança evolutiva que ajudou nossos ancestrais a sobreviver.

    Quando você percebe uma ameaça (real ou imaginária), seu corpo libera hormônios como adrenalina e cortisol, preparando você para lutar ou fugir. Seu coração acelera, a respiração fica mais rápida, os músculos ficam tensos. É a famosa resposta de luta ou fuga.

    O problema começa quando esse sistema dispara sem motivo real, com frequência excessiva ou intensidade desproporcional. Aí deixamos o terreno da ansiedade saudável e entramos nos transtornos de ansiedade.

    Ansiedade normal vs. Transtorno de ansiedade

    Ansiedade NormalTranstorno de Ansiedade
    Resposta a uma situação específicaPreocupação constante, sem motivo claro
    Passa quando a situação é resolvidaPersiste por semanas ou meses
    Intensidade proporcional ao eventoIntensidade desproporcional
    Não impede atividades do dia a diaPrejudica trabalho, relacionamentos e saúde
    É gerenciávelParece incontrolável

    Sintomas de ansiedade: como reconhecer

    A ansiedade se manifesta de diferentes formas — no corpo, na mente e no comportamento. Conhecer esses sinais é o primeiro passo para buscar ajuda.

    Sintomas físicos

    • Coração acelerado ou palpitações
    • Falta de ar ou sensação de sufocamento
    • Tremores ou sensação de fraqueza
    • Suor excessivo (especialmente nas mãos)
    • Tensão muscular e dores (principalmente no pescoço e ombros)
    • Problemas digestivos (náusea, diarreia, desconforto abdominal)
    • Tontura ou sensação de desmaio
    • Insônia ou sono de má qualidade
    • Fadiga constante
    • Formigamento nas mãos ou pés

    Sintomas psicológicos

    • Preocupação excessiva e persistente
    • Sensação de que algo ruim vai acontecer
    • Dificuldade de concentração
    • Mente acelerada ou “em branco”
    • Irritabilidade
    • Medo de perder o controle
    • Pensamentos catastróficos
    • Sensação de irrealidade

    Sintomas comportamentais

    • Evitar situações que causam ansiedade
    • Procrastinação
    • Roer unhas, arrancar cabelos ou outros hábitos nervosos
    • Buscar reasseguramento constantemente
    • Dificuldade para tomar decisões
    • Isolamento social

    👉 Leia também: Sintomas de Ansiedade: o Guia Completo para Identificar os Sinais

    Tipos de transtornos de ansiedade

    Existem vários tipos de transtornos de ansiedade, cada um com características específicas. Conhecê-los ajuda a entender melhor o que você ou alguém próximo pode estar vivenciando.

    1. Transtorno de ansiedade generalizada (TAG)

    Caracterizado por preocupação excessiva e persistente com diversos aspectos da vida — trabalho, saúde, família, dinheiro, coisas do dia a dia. A pessoa sente que não consegue controlar a preocupação, mesmo sabendo que é desproporcional.

    Principais características:

    • Preocupação na maioria dos dias, por pelo menos 6 meses
    • Dificuldade de relaxar
    • Fadiga fácil
    • Tensão muscular crônica
    • Problemas de sono

    2. Transtorno do pânico

    Marcado por ataques de pânico — episódios súbitos de medo intenso que atingem o pico em minutos, acompanhados de sintomas físicos fortes como palpitações, falta de ar, dor no peito e medo de morrer ou enlouquecer.

    Muitas pessoas desenvolvem medo de ter novos ataques, o que pode levar à evitação de lugares e situações.

    3. Fobia social (transtorno de ansiedade social)

    Medo intenso de situações sociais onde a pessoa pode ser julgada, criticada ou rejeitada. Vai muito além da timidez — é um medo que limita significativamente a vida.

    Situações comuns que geram ansiedade:

    • Falar em público
    • Conhecer pessoas novas
    • Comer ou beber em público
    • Ser o centro das atenções
    • Fazer ligações telefônicas

    4. Fobias específicas

    Medo intenso e irracional de objetos ou situações específicas. As mais comuns incluem:

    • Aracnofobia: medo de aranhas
    • Acrofobia: medo de altura
    • Claustrofobia: medo de espaços fechados
    • Aerofobia: medo de voar
    • Hemofobia: medo de sangue

    5. Agorafobia

    Medo de estar em lugares ou situações dos quais seria difícil escapar ou conseguir ajuda em caso de pânico. Pode incluir medo de:

    • Transporte público
    • Espaços abertos ou fechados
    • Multidões ou filas
    • Estar fora de casa sozinho

    6. Transtorno de ansiedade de separação

    Medo excessivo de se separar de pessoas com quem se tem forte vínculo afetivo. Embora mais comum em crianças, também pode afetar adultos.

    O que causa ansiedade?

    Não existe uma causa única para os transtornos de ansiedade. Geralmente, é uma combinação de fatores:

    Fatores biológicos

    • Genética: Histórico familiar de ansiedade aumenta o risco
    • Química cerebral: Desequilíbrios em neurotransmissores como serotonina, dopamina e GABA
    • Estrutura cerebral: Alterações na amígdala (centro do medo) e córtex pré-frontal

    Fatores psicológicos

    • Experiências traumáticas na infância ou vida adulta
    • Padrões de pensamento negativos ou catastróficos
    • Baixa autoestima
    • Perfeccionismo
    • Dificuldade de lidar com incertezas

    Fatores ambientais

    • Estresse crônico (trabalho, finanças, relacionamentos)
    • Eventos de vida significativos (mudanças, perdas, divórcio)
    • Uso de substâncias (cafeína em excesso, álcool, drogas)
    • Condições médicas (problemas de tireoide, doenças cardíacas)
    • Falta de sono adequado

    Tratamentos para ansiedade

    A boa notícia é que os transtornos de ansiedade são altamente tratáveis. Com o tratamento adequado, a grande maioria das pessoas experimenta melhora significativa.

    Psicoterapia

    A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é considerada o tratamento padrão-ouro para transtornos de ansiedade. Ela trabalha com:

    • Identificação de pensamentos distorcidos
    • Reestruturação cognitiva
    • Exposição gradual a situações temidas
    • Técnicas de relaxamento e respiração
    • Desenvolvimento de habilidades de enfrentamento

    Outras abordagens também podem ser eficazes, como terapia de aceitação e compromisso (ACT), EMDR para traumas, e terapia psicodinâmica.

    Medicamentos

    Em alguns casos, medicamentos podem ser prescritos por um médico psiquiatra:

    • Antidepressivos: ISRS (inibidores seletivos de recaptação de serotonina) são a primeira escolha
    • Ansiolíticos: Benzodiazepínicos para alívio rápido (uso de curto prazo)
    • Betabloqueadores: Para sintomas físicos como tremores e palpitações

    Importante: Medicamentos devem ser sempre prescritos e acompanhados por um médico. Nunca se automedique.

    Mudanças no estilo de vida

    Hábitos saudáveis podem fazer uma diferença significativa:

    • Exercício físico regular: Libera endorfinas e reduz cortisol
    • Sono de qualidade: 7-9 horas por noite
    • Alimentação equilibrada: Evitar excesso de cafeína, açúcar e álcool
    • Mindfulness e meditação: Reduzem a reatividade ao estresse
    • Técnicas de respiração: Acalmam o sistema nervoso em momentos de ansiedade
    • Conexões sociais: Manter relacionamentos saudáveis
    • Limitar notícias e redes sociais: Reduzir gatilhos de ansiedade

    👉 Leia também: 7 Técnicas de Respiração para Acalmar a Ansiedade em Minutos

    Técnicas de alívio imediato para ansiedade

    Quando a ansiedade bate, essas técnicas podem ajudar a acalmar seu corpo e mente:

    1. Respiração 4-7-8

    1. Inspire pelo nariz contando até 4
    2. Segure a respiração contando até 7
    3. Expire pela boca contando até 8
    4. Repita 3-4 vezes

    2. Técnica 5-4-3-2-1 (grounding)

    Conecte-se ao momento presente identificando:

    • 5 coisas que você pode ver
    • 4 coisas que você pode tocar
    • 3 coisas que você pode ouvir
    • 2 coisas que você pode cheirar
    • 1 coisa que você pode saborear

    3. Relaxamento muscular progressivo

    Tensione e relaxe cada grupo muscular por 5-10 segundos, dos pés à cabeça. Isso ajuda a liberar a tensão acumulada no corpo.

    Quando procurar ajuda profissional

    Procure um profissional de saúde mental se:

    • A ansiedade persiste por mais de algumas semanas
    • Está interferindo no trabalho, estudos ou relacionamentos
    • Você está evitando situações importantes
    • Está tendo ataques de pânico
    • Está usando álcool ou outras substâncias para lidar com a ansiedade
    • Está tendo pensamentos de se machucar
    • Os sintomas físicos são intensos ou preocupantes

    👉 Leia também: Quando Procurar Ajuda Profissional para Ansiedade?

    Ansiedade vs. estresse: qual a diferença?

    Embora relacionados, ansiedade e estresse não são a mesma coisa:

    • Estresse é uma resposta a uma pressão externa (prazo, conflito, demanda)
    • Ansiedade é uma reação interna que pode persistir mesmo sem estressor presente

    O estresse geralmente diminui quando a situação é resolvida. A ansiedade pode continuar, alimentada por preocupações sobre o futuro.

    👉 Leia também: Ansiedade vs. estresse: entenda as Diferenças e Como Lidar

    Perguntas frequentes sobre ansiedade

    A ansiedade tem cura?

    Os transtornos de ansiedade são altamente tratáveis. Muitas pessoas conseguem controlar completamente os sintomas com tratamento adequado. Mesmo quando há recaídas, as técnicas aprendidas ajudam a lidar melhor com os episódios.

    Ansiedade pode causar problemas físicos?

    Sim. A ansiedade crônica pode contribuir para problemas cardiovasculares, digestivos, enfraquecimento do sistema imunológico, dores crônicas e outros problemas de saúde. Por isso é importante tratá-la.

    É possível ter ansiedade e depressão ao mesmo tempo?

    Sim, é bastante comum. Estudos mostram que cerca de 60% das pessoas com ansiedade também apresentam sintomas de depressão. Ambas as condições podem e devem ser tratadas simultaneamente.

    Criança pode ter transtorno de ansiedade?

    Sim. Transtornos de ansiedade podem surgir na infância e, se não tratados, tendem a persistir na vida adulta. Fique atento a medos excessivos, dificuldade de separação, queixas físicas frequentes e evitação de atividades.

    Você não está sozinho

    Se você chegou até aqui, saiba que dar atenção à sua saúde mental é um ato de cuidado e coragem. A ansiedade pode ser avassaladora, mas ela não precisa definir sua vida.

    Com informação, apoio adequado e tratamento quando necessário, é possível recuperar sua qualidade de vida e viver com mais serenidade.

    Precisa de ajuda agora?

    • CVV: Ligue 188 (24 horas, gratuito)
    • CAPS: Centro de Atenção Psicossocial da sua cidade
    • UBS: Unidade Básica de Saúde mais próxima

    Este artigo foi produzido pela Equipe Sereny e revisado por profissionais de saúde. Última atualização: janeiro de 2026.

    Referências:

    • American Psychiatric Association. DSM-5: manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.
    • National Institute of Mental Health. Anxiety Disorders.
    • Organização Mundial da Saúde. Mental Health and COVID-19.
    • Associação Brasileira de Psiquiatria. Diretrizes para o Tratamento de Transtornos de Ansiedade.

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